Segundo orientações de um órgão americano, o Força Tarefa para Serviços Preventivos, o exame de próstata não deve ser recomendado como rotina para homens com mais de 75 anos. A análise partiu de especialistas em urologia e oncologia que estudaram o assunto e foi publicada na revista Anais da medicina interna.
Segundo os médicos, quase 80% dos homens terão a doença em algum momento da vida. Apesar de ser a segunda causa de morte por câncer na população masculina, a maioria dos tumores cresce muito lentamente e não chega a oferecer risco à vida do paciente. Na maioria dos casos, a sobrevida, sem sintomas importantes, é superior a dez anos e, em muitos casos, as pessoas morrem por outras doenças. Desta forma, os pacientes se submeteriam a cirurgias desnecessariamente, o que os médicos chamam de tratamento exagerado.
Para o urologista Luciano Favorito, da diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia, diante do aumento da expectativa de vida da população, aos 75 anos, os homens ainda terão muitos anos de vida pela frente. “Essa decisão é discutível. Talvez a partir dos 85 os exames sejam dispensáveis. Para mim, 75 anos ainda é cedo para isso. Imagine se, num grupo de cem pessoas, dez tiverem o tipo mais agressivo da doença”, diz o médico, lembrando que, no Brasil, a recomendação é que homens façam os exames a partir de 45 anos anualmente.
Os dois principais exames para diagnóstico de câncer de próstata são o PSA, que indica a presença do antígeno prostático específico no sangue, e o toque retal. Quando esses dois exames sugerem a presença do tumor, é necessário fazer uma biópsia. O tratamento consiste na retirada da próstata, associada ou não, à radio ou quimioterapia. A cirurgia envolve riscos de impotência, incontinência urinária, além de outros inerentes a qualquer intervenção cirúrgica.